SETOR PRIVADO GERA MAIOR DEMANDA POR MÁQUINAS

Enquanto governo tenta destravar 14.403 obras paralisadas, setores de mineração, agropecuário e construtoras de médio porte avançam com trabalhos

Até outubro de 2018, foi computado no Brasil um total de 14.403 obras paralisadas, todas financiadas com recursos federais. Os dados foram extraídos de um mapeamento feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que levou em consideração uma amostragem de 39 mil obras que representam um investimento de R$ 144 bilhões.

A postura do governo tem sido tentar destravar essas obras. Para se ter ideia, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Dias Toffoli, anunciou a criação de um comitê que busca retomar essas obras pelo país, especialmente as ligadas à infraestrutura, educação, saúde e segurança pública.

“Essa onda de paralisações provocou um estrago no setor de locação, afinal se as obras param, as máquinas acabam perdendo utilidade. Manter equipamentos no pátio sem gerar rentabilidade gerou prejuízo para todo o setor, envolvendo fornecedores, locadores de máquinas, construtoras e bancos”, conjectura o presidente da APELMAT, Flávio Figueiredo.

Se a criação do comitê para destravar as obras funcionar, representará uma oportunidade para o setor se reerguer. “Mas o país precisa potencializar os investimentos em infraestrutura para poder fomentar o crescimento. Atualmente, a verba destinada para essa área não passa de 1,65% do PIB, um pouco abaixo que em 2017, que era de 1,69%. Esse percentual está aquém da média mundial, que chega a 5%. Essa situação coloca em risco a confiança no setor público em relação ao interesse para acabar com a precariedade da infraestrutura do país”, complementa Flávio.

Perspectiva para investimentos

De acordo com a consultoria Pezco, a projeção para 2019 é que o país invista 1,85% do PIB em infraestrutura. Frederico Turolla, sócio da Pezco, afirma que os concessionários dos aeroportos, rodovias e linhas de transmissão leiloadas em 2017 passaram a assumir operação somente em 2018. Os investimentos estão programados, mas os aportes só entrarão efetivamente em 2019 devido ao processo burocrático, como as concessões de licenças e aprovações.

Segundo o especialista, em 2018 a si- tuação da infraestrutura pode ficar mais delicada do ponto de vista da participação dos entes públicos, já que a arrecadação continua a cair e os or- çamentos vêm sendo refeitos para ade- quar os recursos às demandas.

Afonso Mamede, presidente da Asso- ciação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), acrescenta que os problemas ainda enfrentados no setor de construção civil são decorrentes da falta de financiamento e alto endividamento. O problema deve ser equacionado na medida em que construtoras daqui e de fora forem ocupando o mercado.

“Observamos empresas menores crescendo e estrangeiras entrando no País. Não vejo problema de retomada por conta da disponibilidade de construtora”, afirma. Segundo ele, o que atrapalhou as construtoras foi falta de “horizonte econômico”. Mamede acredita que é preciso trabalhar a questão do ambiente jurídico para retomada das obras em infraestrutura.

A Sobratema aponta que até 2022 o mercado de máquinas e equipamentos pesados alcance vendas anuais entre 25 mil e 30 mil. O PIB da construção civil, segundo estudo da Sobratema, caiu 22,8% entre os anos de 2013 e 2018.

Obras no interior de São Paulo

As obras rodoviárias estão melhorando o ânimo das empresas de equipamentos no interior paulista. O Grupo Sanson é um dos exemplos da retomada das atividades nesse setor. A empresa tem trabalhado em diversas obras de recuperação e recapeamento, em rodovias como Candido Portinari (SP-334), Anhanguera (SP-330), Bandeirantes (SP-348) Castelo Branco (SP-280), entre outras, além de execução de duplicação da Rodovia Wilson Finardi (SP-191), no trecho entre as cidades de Rio Claro e Araras.

“Essa onda de paralisações provocou um estrago no setor de locação, afinal se as obras param, as máquinas acabam perdendo utilidade”

Atualmente o grupo está focado em obras rodoviárias para atender a demanda das concessionárias de rodovias do estado, onde se pode citar também obras de duplicação de trechos das rodovias Raposo Tavares (SP-270), Francisco Alves Negrão (SP-258) e Antônio Romano Schincariol (SP-127).

“Além de implantação de novas vias, trabalhamos fortemente na recuperação da malha viária existente, devolvendo às rodovias sua melhor condição”, Silvio Sanson, diretor-presidente do grupo.  A Automec, distribuidora dos equipamentos JCB para o segmento de construção no estado de São Paulo, forneceu para o Grupo Sanson duas retroescavadeiras JCB 3CX e uma minicarregadeira JCB 155.

Outros setores estão ajudando a impulsionar a atividade do setor da construção. A agropecuária registrou o terceiro trimestre consecutivo de alta e cresceu na comparação anual, impulsionada pelo ganho de produtividade do café e do algodão.

A mineração é um setor que tem se ex-pandido há alguns anos e além de ter oferecido grandes oportunidades de emprego, tem boa demanda por equipamentos. Em 2018 o Projeto Cava da Divisa avançará sentido Barão de Cocais e atribuirá à Vale 20 anos de exploração. A Câmara de Atividades minerárias (CMI), do Consumo Estadual de Política Ambiental (Copam) concedeu às licenças de instalação (LI) e de operação (LO) para expansão da Mina de Brucutu.

Segundo a Vale, a estimativa é de que sejam gerados mais de 800 empregos durante a obra e quase 170 diretamente na empresa, depois de tudo pronto. As licenças têm validade de 10 anos, sendo seis anos para instalação. No entanto o projeto da Vale estima que a implantação da Cava da Divisa, incluindo realização das atividades de terraplanagem, obras civis, montagem eletromecânica e comissionamento, aconteça em 20 meses. De acordo com a mineradora, serão necessários 216 empregados para as obras de terraplanagem e outros 619 para obras civis e montagem eletromecânica.

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