1 de abril de 2025

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Por: RODRIGO SANTOS

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Tags: construção

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Categorias: destaques, Mercado

A escassez de mão de obra e a capacitação urgente

Por Roberto de Souza, CEO do CTE  

A escassez de mão de obra qualificada é um desafio que se agrava a cada dia na construção civil brasileira. Com o aquecimento do mercado e a crescente demanda por projetos de alta complexidade, a falta de operários capacitados tem impactado diretamente a produtividade e a qualidade das obras.

Esse cenário exige que as construtoras assumam o protagonismo em um movimento estruturado de capacitação da mão de obra operacional, indo além do treinamento básico, avançando na criação de planos de carreira robustos e atraentes, capazes de reter talentos e atrair jovens para o setor.

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Planos de carreira e trilhas de conhecimento: um novo paradigma

A falta de operários qualificados, como carpinteiros, armadores, pedreiros de alvenaria e aplicadores de revestimentos cerâmicos, tornou-se um gargalo para o crescimento do setor. Sem a devida qualificação, esses profissionais não apenas comprometem a execução das obras, como também limitam a capacidade das empresas de inovar e adotar novas tecnologias construtivas.

Para combater essa carência, algumas construtoras de São Paulo, participantes da Rede Inovação na Construção, sob coordenação do CTE, decidiram se unir e investir na capacitação dos operários de obras. O foco não é apenas em formar novos profissionais, mas criar um ambiente onde o conhecimento seja continuamente aprimorado e valorizado, com planos de carreira que incentivem o crescimento profissional dentro da empresa.

O movimento em curso pode transformar a maneira como a mão de obra é gerida na construção civil. A proposta é clara: definir planos de carreira e trilhas de conhecimento específicos para cada um dos principais ofícios da construção.

Para isso, é preciso elaborar programas de treinamento que possam ir além da formação técnica básica. A ideia é que os treinamentos sejam realizados dentro das próprias obras, sob a supervisão de oficiais sêniores, em programas-piloto que servirão como laboratórios para essas iniciativas.

Por que é tão importante atrair jovens para o setor?

A criação de planos de carreira claros e robustos é essencial para a retenção de talentos e para atrair novos profissionais para a construção civil.  A indústria precisa se reinventar e mostrar que há um caminho claro de crescimento e desenvolvimento para aqueles que escolhem trabalhar nela. Oferecer oportunidades de aprendizado contínuo e de ascensão na carreira é uma maneira eficaz de despertar o interesse dos jovens e garantir a renovação da força de trabalho tão necessária.

O movimento liderado pelo CTE e por este grupo de construtoras é um passo importante para enfrentar a escassez de mão de obra qualificada na construção civil. A criação de planos de carreira e de trilhas de conhecimento específicas para cada ofício tendem a transformar o setor, promovendo a qualificação contínua dos operários, criando um ambiente de trabalho mais atrativo e seguro.

Ao investir no desenvolvimento dos operários de obras, as construtoras não apenas melhoram a qualidade de seus canteiros, mas também contribuem para a sustentabilidade e a competitividade do setor a longo prazo.

Esse é um exemplo claro de que, em tempos desafiadores, a colaboração e a inovação são as melhores estratégias para construir um futuro sólido para a construção civil brasileira.

* Roberto de Souza é engenheiro civil, mestre e doutor em engenharia pela Escola Politécnica da USP. Autor de oito livros do setor e CEO do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações).